Para começarmos é importante explicar que, dentro do útero o bebê fica envolvido por duas membranas: a cório, como é chamada a parte mais externa; e a âmnio, a camada mais interna.
Essas membranas foram a Bolsa Amniótica que é fina e translúcida, porém muito forte e resistente. Dentro dela se encontra o líquido amniótico, responsável por proteger o bebê de impactos e possíveis problemas com infecção, além de outras funções que tratarei em um posts em breve.
Bolsa rota é o termo que se usa quando ocorre o rompimento espontâneo dessa bolsa amniótica.
O rompimento da Bolsa amniótica ocasionará a saído do liquido em pequena ou em grande quantidade.
É importante ressaltar que esse líquido continua sendo produzido mesmo quando a bolsa se rompe.
Quando acontece antes do trabalho de parto, chamamos de Amniorrexe Prematura.
Geralmente o rompimento espontâneo da bolsa amniótica ocorre durante o período de dilatação, devido à pressão intra- uterina contra as membranas que a envolvem, causando sua ruptura espontânea.
Em situações raras, a bolsa amniótica permanece intacta durante todo o trabalho de parto e o bebê nasce dentro dela, é ocorre o que chamado de Parto Empelicado.
De 85 a 90% dos casos a bolsa se rompe após o início de trabalho de parto ativo, ou seja, lá pros 7 – 8 cm de dilatação. Somente de 10 a 15% das gestantes tem ruptura repentina da bolsa antes do trabalho de parto começar.
A você gestante, parceiro de gestante ou acompanhante da gestante, eu peço que esqueçam definitivamente as cenas de novela e filmes Hollywoodianos, onde assim que a bolsa se rompe todo mundo sai correndo tipo “Velozes e Furiosos”, eufóricos para o hospital, e instantes depois o bebê nasce. Pois na vida real não é bem assim que as coisas acontecem.
Apesar de toda informação atual disponível, ainda hoje é muito comum encontrarmos mulheres que correm para a maternidade logo que a bolsa rompe.
Das duas uma, ou o médico que a atender na maternidade mandará ela de volta para casa por que ela ainda não está em trabalho de parto ou ela ficará em observação na maternidade desnecessariamente, sendo que poderia esperar o trabalho de parto se iniciar no conforto de sua casa.
O trabalho de parto nem sempre tem início logo após a ruptura da bolsa, e mesmo que trabalho de parto se inicia após a ruptura da bolsa, a mulher ainda terá tempo suficiente para vivenciar todas as fases do trabalho de parto com calma e paciência.
A mulher terá tempo o suficiente para conferir os itens da bolsa de roupinhas do bebê e sua bolsa também, dá tempo de tomar um longo banho, colocar comida para os pets, postar no facebook “Partiu Maternidade”, fazer algumas ligações, tirar algumas fotografias e muito mais...
Após o rompimento da Bolsa, o tempo para que a mulher entre em trabalho de parto espontâneo pode variar, podendo levar 5 horas, 24 horas e até mesmo 48 horas. No entanto, cerca de 70% das mulheres entram em trabalho de parto espontâneo em até 12 horas depois do rompimento da bolsa. Vale lembrar que o trabalho de parto só se inicia com contrações ritmadas.
Assim que a bolsa se romper é importante que a futura mamãe observe o aspecto do líquido que deve ser claro e pode apresentar um leve cheiro semelhante ao da água sanitária, porém algumas mulheres não notam cheiro algum e isso é normal.
É recomendado que a mulher coloque um absorvente noturno (daqueles maiores), para que os médicos possam avaliar a cor do liquido e substância presentes nele assim que ela chegar na maternidade. Essa observação, pode permitir a avaliação do andamento do parto e até alguns cuidados que o bebê precisa ter ao nascer.
O liquido amniótico ao rompimento da bolsa NÃO PODE ser vermelhado, marrom (parecendo borra de café), esverdeado ou amarelado. Também não pode ser acompanhado de cheiro ruim. Caso apresente alguma dessas situações a mulher deve se ir imediatamente para hospital para passar por uma avaliação.
Se o líquido estiver avermelhado, marrom, amarelado ou esverdeado, é preciso ir imediatamente para a maternidade, pois isso pode indicar algum problema com o bebê.
Lembrando que a presença de pequena quantidade de mecônio no líquido amniótico não indica sofrimento fetal, indica que o bebê está maduro e pronto para nascer.
Porém, a evolução do parto e o monitoramento fetal devem ser realizados. E se os batimentos cardíacos fetal estão normais, se há volume de líquido amniótico suficiente capaz de diluir o mecônio e o aspecto do líquido é claro, o bebê não corre riscos.
Os recomendações de pesquisas atuais referem que o médico deve esperar que o trabalho de parto se inicie espontaneamente, o que geralmente acontecer dentro das próximas 24h.
Lembre-se que cada caso deve ser avaliado individualmente e que você deve buscar o maior número de informação antes de qualquer decisão.
* Fisiologia do Parto: https://edisciplinas.usp.br - Fisiologia do Parto: Contratilidade Uterina e Períodos Clínicos do Parto
* Livro: “Parto Ativo” Balaskas, Janet
* Coletivo bom parto: A bolsa rompeu o que fazer?
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