Na Idade Média, algumas mulheres possuíam um conhecimento aprimorado sobre o corpo feminino e seus processos fisiológicos ao logo da vida.
Essas mulheres, eram mães, avós, irmãs mais velhas, tias e mulheres da vizinhança que acompanhavam, instruíam e apoiavam outras mulheres durante a gestação, trabalho de parto, parto e os cuidados com o recém-nascido.
Por atuarem auxiliando mulheres no trabalho de parto e no parto propriamente dito, que inclusive eram residenciais, elas eram chamadas de aparadeiras, comadres ou mesmo parteiras.
Elas adquiriam seus conhecimentos e os aprimoravam observando e auxiliando outras mulheres durante anos. Elas ofereciam não só apoio físico, mas também apoio informacional e emocional as novas mães.
Porém, entre os anos de 1930 e 1960 os médicos passaram a ganhar autoridade em relação à saúde da mulher durante a gestação e durante o parto.
O avanço científico trouxe à tona riscos reais que existiam na gravidez e no parto, por outro lado provocou uma substituição do apoio tradicional da assistência ao parto e nascimento pelo apoio médico e tecnológicos. E assim se deu o início do processo de institucionalização e medicalização da assistência ao parto.
Então o parto que antes era um evento social e familiar, realizado na casa da parturiente, foi transferido para hospitais e essa transição ocasionou a perda da tradição de mulheres dando suporte a outras mulheres. Passando então a ser um evento dominado por médicos obstetras dentro de hospitais.
A ideia de que no parto hospitalar as mulheres tinham sua vida e saúde protegida começou a se propagar e foi usada como justificativa para à adoção de práticas médicas, que se tornaram rotineiras.
E com o contínuo desenvolvimento cientifico e tecnológico, o número dessas intervenções aumentaram cada vez mais deixando de lado as vontades, desejos e anseios de cada mulher em suas singularidades.
Nos dias atuais os partos em sua grande maioria ainda acontecem em ambiente hospitalar, e a parturiente é rodeada por especialistas como o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra, o anestesiologista, técnicos e auxiliares de enfermagem, entre outros... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente.
Dentro do ambiente impessoal dos hospitais, o cuidado com o bem-estar emocional da parturiente acaba ficando perdido em meio ao cumprimento de protocolos e procedimentos. Isso tende a aumentar o medo, a dor e a ansiedade da mulher e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.
A doula veio justamente para suprir a necessidade de apoio físico, emocional e de afeto da mulher nos momentos que antecedem o parto, no parto propriamente dito e no puerpério também. Resgatando uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto e nascimento.
A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo hoje utilizada para referir-se a mulheres profissionais capacitadas para dar assistência física e emocional à mulher durante a gestação, parto e puerpério.
Em 1977, a antropóloga americana Dana Raphael, estudiosa da prática do aleitamento materno, descreveu em seu livro “The Tender Gift: Breastfeeding”, um dos primeiros conceitos sobe Doula na sua concepção moderna.
Ela se referia às doulas como sendo as mulheres mais experientes que acompanham partos, fornecendo à mulher, ao seu marido ou acompanhante suporte emocional e físico durante todo o processo de parto e nascimento inclusive no puerpério, ajudando às novas mães durante a amamentação e cuidados com o bebê.
O que os estudos dizem sobre as Doulas
E 1980, Hospital da Previdência Social na Guatemala, realizou o primeiro estudo que teve como objetivo investigar os efeitos da presença contínua de uma acompanhante qualificada ao lado da parturiente durante o trabalho de parto.
Participaram desse estudo, clínico randomizado 136 parturientes. O grupo experimental que recebeu apoio de doulas durante todo o trabalho de parto foi comparado ao grupo controle que recebeu assistência da equipe de enfermagem tradicional.
As doulas eram responsáveis por acompanhar a mulher da admissão ao parto, realizavam massagens nas costas, seguravam as mãos e conversavam com as mulheres.
O estudo observou que no grupo experimental, houve menor incidência de problemas perinatais, menor tempo de trabalho de parto e mais interação da mãe com o bebê.
Em 1986, o mesmo Hospital da Previdência Social na Guatemala, realizou um segundo estudo o qual 465 primigestas saudáveis participaram.
Nesse estudo observou-se que no grupo experimental, que recebeu apoio das doulas, houve menor ocorrência de complicações perinatais incluindo parto cesárea, uso de ocitocina e bebês admitidos na unidade de cuidados intensivos neonatais.
Os ótimos resultados apresentados pelos estudos na Guatemala, motivaram a equipe do Dr. Marshall Klaus um neonatologista e John Kennel, um pediatra a dar continuidade em seus estudos buscando resultados semelhantes em centros obstétricos dos Estados Unidos.
Em 1992, eles fundaram a DONA (Doulas da América do Norte) e foram os primeiros a treinar, certificar e dar apoio às Doulas.
Já um estudo randomizado com 724 mulheres nulíparas no Instituto de Seguros Sociais do México foi também encontrado resultados favoráveis no grupo que recebeu apoio das doulas como: maior frequência de amamentação exclusiva ao seio um mês após o parto, menor tempo de trabalho de parto e alto grau de controle sobre a experiência do parto.
O Instituto de Seguros Sociais do México foi o responsável por realizar o primeiro estudo qualitativo sobre suporte social durante o trabalho de parto e nascimento, teve como objetivo identificar o que a mulher sentia durante o trabalho de parto se acompanhada pela doula ou se deixada sozinha.
O estudo incluiu entrevistas com as mulheres, médicos, enfermeiras e doulas. O estudo observou que as mulheres acompanhadas pelas doulas tiveram uma experiência de parto mais positiva. A diferença mais importante entre os dois grupos foi quanto à forma de expressar sentimentos sobre o próprio trabalho de parto, o senso de controle do processo e a auto percepção.
Os autores concluem que as atividades desenvolvidas pelas doulas são necessárias durante a assistência obstétrica para o bem-estar emocional das mulheres.
Vários outros estudos foram realizados acerca da importância da doula. Alguns relacionam os níveis séricos elevados de adrenalina e noradrenalina na circulação sanguínea, com a redução da atividade uterina e do fluxo sanguíneo uterino, levando a extensão do trabalho de parto e asfixia fetal.
Os achados destes estudos descrevem a importância do suporte intra parto e apontam a doula como uma opção segura e eficaz. A presença constante da doula ao lado da parturiente, tranquilizando-a, encorajando-a e provendo conforto físico, reduz a ansiedade materna e consequentemente os níveis de hormônios que podem prejudicar o bem-estar da mãe e do bebê, durante o trabalho de parto.
Com isso, a parturiente se sente mais segura e tranquila, o trabalho de parto transcorre mais rapidamente e necessitando de pouca ou nenhuma intervenção obstétrica.
A atuação da doula possui respaldo cientifico e tem apoio do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, entre outras instituições internacionais.
REFERÊNCIAS:
1. Apostila do CURSO de doulas: Associação Nacional de doulas. [S.l.,s.d.].
2. Leão MRC, Bastos MAR. “Doulas apoiando mulheres durante o trabalho de parto: uma experiência do Hospital Sofia Feldman.” Revista Latina Americana de Enfermagem, Maio 2001, vol.9, no.3, p.90-94. ISSN 0104-1169.
3. Fadynha. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo:Ed Ground, 2003.
1. Apostila do CURSO de doulas: Associação Nacional de doulas. [S.l.,s.d.].
2. Leão MRC, Bastos MAR. “Doulas apoiando mulheres durante o trabalho de parto: uma experiência do Hospital Sofia Feldman.” Revista Latina Americana de Enfermagem, Maio 2001, vol.9, no.3, p.90-94. ISSN 0104-1169.
3. Fadynha. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo:Ed Ground, 2003.
Até a próxima !
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