Qual o momento ideal para se iniciar o pré-natal?
O ideal, seria iniciar o pré-natal antes mesmo da concepção, através de uma consulta pré-concepcional.
O período que antecede a concepção é crucial para o desenvolvimento de uma gravidez saudável e, por esta razão, em âmbito global são propostas ações de promoção da saúde e de prevenção de agravos a serem implementadas antes que a concepção ocorra.
A consulta pré-concepcional proporciona à mulher e ao seu companheiro, as informações necessárias para que juntos tomem decisões sobre seu futuro reprodutivo.
No Brasil, o Ministério da Saúde, refere que a consulta pré-concepcional consiste na identificação e modificação dos fatores de risco reprodutivos antes que a concepção ocorra (Brasil, 2015).
De uma forma geral, entende-se por consulta pré-concepcional a consulta que o casal faz antes de uma gravidez, objetivando identificar fatores que possam interferir na concepção e fatores de risco ou doenças que possam atrapalhar a evolução normal da futura gestação ou ainda fatores que possam causar algum problema durante o parto e no pós parto.
Promover a saúde no período pré-concepcional é uma forma de contribuir para o sucesso da gravidez, de todo o processo de parto e nascimento, e para a redução de mortalidade materno-fetal, uma vez que muitos dos fatores que condicionam negativamente o futuro de uma gestação, podem ser detectados, evitados, modificados ou eliminados, antes que a mulher engravide. Dessa forma, a avaliação pré-concepcional, constitui, assim, como instrumento importante na melhoria dos índices de morbidade e mortalidade materna e infantil.
O planejamento da Gestação
A consulta pré-concepcional é conhecida por muitos como Consulta de Planejamento Familiar.
Sabe-se que mais que a metade das gestações não são inicialmente planejadas, embora possam ser desejadas. E mesmo sendo desejadas as mulheres não tomado qualquer medida como preparo pré-concepcional.
Quando a gravidez não é planeada, pode implicar no início tardio do pré-natal e início tardio também do tratamento de fatores que podem interferir na evolução normal da gestação, que podem trazer complicações a saúde da mulher e interferir também no desenvolvimento saudável do bebê, além de fatores que podem causar complicações no parto e puerpério
A regulamentação do planejamento familiar no Brasil, por meio da Lei n.º 9.263/96, foi conquista importante para mulheres e homens no que diz respeito à afirmação dos direitos reprodutivos. Conforme consta na referida Lei, o planejamento familiar é entendido como o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação, ou aumento da prole pela mulher, pelo homem, ou pelo casal” (art. 2).
A atenção em planejamento familiar contribui para a redução da morbimortalidade materna e infantil, pois:
• Diminui o número de gravidezes não desejadas e de abortamentos provocados;
• Diminui o número de cesáreas realizadas para fazer a ligadura tubária;
• Diminui o número de ligaduras tubárias por falta de opção e acesso a outros métodos anticoncepcionais;
• Aumenta o intervalo interpartal, contribuindo para diminuir a frequência de bebês de baixo peso e para que os bebês sejam adequadamente amamentados;
• Possibilita a prevenção e/ou postergação de gravidez em mulheres adolescentes, ou com patologias crônicas, tais como diabetes, cardiopatias, hipertensão, portadoras do HIV, entre outras.
Poder planejar a gravidez e ser preparada adequadamente para essa fase é um direito das mulheres. Porém, infelizmente, essa prática ainda não é adotada pela maioria da população e tampouco tem sido estimulada pelas instituições de saúde.
O planejamento da gravidez contribui para a decisão informada sobre o momento mais oportuno da gravidez para a mulher, considerando suas condições físicas, psíquicas e sociais.
Sempre que possível, deve incluir o parceiro e ser realizada por uma equipe multiprofissional motivada e motivadora.
O objetivo da consulta pré-concepcional
A consulta pré-concepcional é uma consulta preventiva, que tem como objetivo:
• Auxiliar na escolha do momento ideal para ocorrência da gestação.
• Diagnosticar e tratar adequadamente e o mais precocemente possível, condições que possam interferir na concepção ou possam causar complicações durante a gravidez ou parto.
• Identificar e buscar eliminar comportamentos e fatores que possam colocar em risco o desenvolvimento saudável de uma futura gestação.
• Viabilizar uma gestação saudável, com a intenção de promover a saúde tanto da futura mãe quanto de seu futuro bebê.
Qual o profissional responsável pela consulta pré-concepcional?
A consulta pré-concepcional é realizada por uma equipe multiprofissional, que pode envolver o médico obstetra, ginecologista, enfermeira, nutricionista, psicóloga, entre outros.
Cada um atuando dentro de suas competências e desenvolverá um papel importante para preparação da mulher para a gravidez.
Quando se deve realizar a consulta pré-concepcional?
As consultas devem ser realizadas preferencialmente 3 meses antes de começar as tentativas para engravidar.
Como é a consulta pré-concepcional
Na consulta, uma anamnese (entrevista) detalhada é realizada e segue o seguinte cronograma:
1 - Anamnese
• Históricos de saúde individual e familiar.
• Histórico ginecológico, obstétrico e urológico
2 - Exame físico
• Exame físico geral
• Exame ginecológico
• Exame urológico
3 - Exames complementares laboratoriais
4 - Analise dos resultados dos exames e tratamento de possíveis problemas identificados
5 - Orientações e intervenções complementares
Nas consultas pré-concepcionais o profissional deverá realizar investigação minuciosa sobre a saúde da mulher ou do casal, buscando identificar possíveis problemas de saúde que podem afetar a futura concepção, a evolução da gestação, o desenvolvimento do bebê e a evolução natural do parto.
Após isso o casal realizará vários exames, receberá algumas vacinas, o médico poderá orientar a mulher com relação a ingestão de ácido fólico, suplemento que pode ajudar a prevenir problemas no desenvolvimento do bebê no início da gestação.
O médico realizará exames físicos e laboratoriais e com os resultados dos exames em mãos, dará início ao tratamento de possíveis problemas identificados e encaminhará para atendimento especializado se for necessário.
Além disso, o médico deve aproveitar as consultas de pré-concepção para esclarecer as dúvidas do casal e orientar a mulher com relação as alterações que a gestação e a maternidade podem trazer, incluindo tanto as modificações fisiológicas quanto as alterações ligadas a áreas emocional, afetiva, social, profissional e econômica.
Referências
Atenção a Gestante e a Puérpera no SUS-SP - Manual Técnico do Pré-natal e Puerpério - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo - 2010.
Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica, 32 - Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde - 2012.
Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf.
DECRETO N 94.406/8 - Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da Enfermagem, e dá outras providências.
Acesso em: http://www.cofen.gov.br/decreto-n-9440687_4173.html
Domingues RMSM, Hartz ZMA, Dias MAB, Leal MC. Avaliação da adequação da assistência pré-natal na rede SUS do Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saude Publica - 2012 - Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000300003.
Duarte SJH, Almeida EP. O papel do enfermeiro do programa saúde da família no atendimento pré-natal.
Revista de enfermagem do Centro-Oeste Mineiro. 2014 - Disponível em: http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/137
Protocolo de enfermagem. Vol.3 - SAÚDE DA MULHER - Acolhimento às demandas da mulher nos diferentes ciclos de vida.
Versão 1.2. Florianópolis, dezembro de 2016.
RESOLUÇÃO COFEN-271/2002 – Revogada pela RESOLUÇÃO COFEN-317/2007 - Regulamenta ações do Enfermeiro na consulta, prescrição de medicamentos e requisição de exames. Acesso em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2712002-revogada-pela-resoluo-cofen-3172007_4308.html
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Até a próxima !
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